Arquivo mensais:julho 2014

5 links elementares: por um ângulo diferente

Em arquitetura, e em outras tantas coisas, é imprescindível que vejamos sempre por ângulos diferentes para uma melhor compreensão. O post de hoje mostra alguns lugares que já estamos acostumados, mas por ângulos inéditos, além de mostrar uma galera que se dedica na busca por uma perspectiva diferente.

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1. Projeto reúne imagens de vários lugares do mundo vistas de cima para apreciar sua beleza.

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2. Imagens incríveis tiradas do alto de montanhas mostram o que poucos veem.

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3. Usando 6 câmeras GoPro em um suporte, criou-se uma perspectiva muito particular.

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4. Estamos acostumados a ver esses lugares mas não imaginamos o que está ao redor.

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5. Uma experiência de explorar lugares inusitados, com um quê de protesto.

MAIS VOCABULÁRIO URBANÍSTICO

Imagem topo

O caderno Cidades do Jornal do Commercio do último dia 11 de julho, trouxe uma matéria intitulada “Mais um passo para o sonhado Plano Diretor” destacando a iniciativa louvável da população do bairro de Casa Amarela, em Recife, para elaborar um Plano Diretor para o bairro. O objetivo é elaborar um plano, a partir de plenárias e oficinas públicas, e com isso levar o projeto de iniciativa popular para Câmara dos Vereadores.

A cada dia que se passa Recife vai se mostrando ainda mais vanguardista no quesito envolvimento popular em discussões urbanas. Grupos como o Casa Amarela Sustentável, Boa Vista Viva, Ocupe Estelita e Direitos Urbanos estão trazendo ao cidadão comum o debate sobre um tema de extrema importância e que estava adormecido.

O recifense comum, e por isso entenda como a pessoa que não trabalha com urbanismo, não tem qualquer proximidade com o tema citadino. A ausência de um vocabulário urbanístico acabou por criar uma população que só percebe a cidade através de sua própria experiência cotidiana e não em um contexto coletivo. Na própria matéria do JC, citada no início deste texto, dois moradores do bairro falam para a reportagem que esperam que com esta iniciativa. O primeiro torce para que se asfalte a rua para onde irá se mudar daqui a pouco tempo, enquanto a segunda, uma feirante do Mercado de Casa Amarela, espera que organize-se um estacionamento ao lado do mercado para aproximar os clientes.

A ideia não é discutir a opinião pessoal dos entrevistados. Mas sim, ilustrar como o recifense não está acostumado a pensar a cidade como um organismo coletivo. E a ausência deste costume foi criado, e continua sendo incentivado, pela inoperância do poder público em gerir nossa cidade. Há tantos problemas pequenos e próximos a cada cidadão, que ele se concentra em tentar resolver o que é mais visível e presente no seu cotidiano. E com isso deixa de ter uma visão macro do que acontece na cidade.

E essa incapacidade é compreensível a medida que a nossa cidade não apresenta, em seu cotidiano, qualidades urbanas que criem um bom repertório de soluções urbanísticas para seu cidadão. Não vemos na a cidade funcionar na prática. Uma pequena minoria busca um conhecimento teórico ou um curto conhecimento prático em alguma viagem.

E a cidade precisa ser discutida por todos. Precisamos ampliar o vocabulário urbanístico da população. Ensiná-la, e acostumá-la, a cobrar boas soluções e a enxergar a cidade como organismo coletivo, feita por todos e para todos.

Nós, arquitetos e urbanistas, temos uma parcela de responsabilidade maior nessa empreitada. Somos o lado técnico da força. Nós temos o dever, e a capacidade, de ampliar esse vocabulário urbanístico do cidadão comum através de nossos projetos. Ninguém pedirá algo que não sabe que existe. Nós temos de mostrar as inúmeras possibilidades saudáveis para a cidade e estimular a população a refletir entre elas.

Para sairmos desse epidemia de ignorância urbana precisamos contar com todos: urbanistas, grupos urbanos, entidades organizadas, grupos de comunicação e cidadão comum. Uma verdadeira força-tarefa. Torçamos para que esses grupos sejam amplificados e que contagiem cada vez mais cidadãos. Torçamos para que os arquitetos desenvolvam suas ideias para ampliar o conhecimento da população. E façamos a nossa parte.

5 links elementares: arte na cidade

O ElementarBlog vai sugerir, toda sexta-feira, 5 links que nos informam e inspiram. A pauta é livre. Veremos nesses links um pouco de tudo que compõe nossa forma de trabalho. Arquitetura, fotografia, artes plásticas, sustentabilidade, cinema, cidades, ilustrações, música, viagens, entre outras coisas.

Hoje indicaremos 5 links que trazem exemplos de arte urbana. Como a cidade pode ficar mais apreensível para seus cidadãos, criar pólos de interesse, ficar mais agradável, habitável e de fácil interação a partir de intervenções artísticas, muitas vezes até simples.

Divirtam-se!

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1. Uma ideia sensacional aproveitando o espaço do céu que existe entre edifícios.

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2. Ilustrações de vários edifícios de Nova York como preservação de uma memória visual afetiva.

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3. Objetos comuns do dia a dia aproveitados para compor obras de arte.

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4. Quantas vezes se pode demolir e construir uma estrutura antes de perder a sua identidade? Imagens de paisagens reconstruídas em cenários destruídos várias vezes.

05c5. Arte urbana que alegra as ruas.

 

O caso Estelita

Foto: Manoela Pires

Vista aérea do Cais José Estelita

A cidade do Recife está enfrentando uma discussão acalorada sobre seu planejamento urbano. E o objeto centro deste debate está sendo o Projeto Novo Recife, desenvolvido por um consórcio de construtoras, para o Cais José Estelita. A área em questão, um lote de mais de 10ha, se notabiliza por um forte caráter histórico, com edificações tombadas no interior do lote, além da proximidade com o Centro Histórico do Recife. A área ainda apresenta uma importância vital para a mobilidade metropolitana da cidade e, por último, um grande potencial paisagístico devido à proximidade com a frente do Rio Capibaribe, o mais importante da cidade.

Antes de começar a argumentação, é importante frisar o quanto nos deixa felizes pertencermos a uma cidade onde a população está brigando por uma cidade melhor. Onde os seus habitantes decidiram não esperar passivamente pelo poder público, porque este já demonstrou toda a sua insensibilidade e incompetência quanto a planejamento urbano nos últimos anos. A discussão popular de temas de interesses coletivos é um dos maiores indicadores do esclarecimento de uma população.

Nesta discussão especificamente, há dois lados: os que aprovam o Projeto Novo Recife e os que o condenam. No entanto, não há um antagonismo de quereres entre as partes. Ambos querem uma cidade melhor, e isso deveria nos unir. Acontece que uns defendem a cidade a partir de argumentos citadinos, coletivos e com elevada preocupação social, enquanto outros se amparam em argumentos de defesa à iniciativa privada, viabilidades econômicas e à legalidade.

Ora, uma coisa não está condicionada à recusa e inexistência da outra. Esta dicotomia não faz sentido e não é saudável para a cidade. O mundo está repleto de exemplos onde todas essas questões levantadas convivem harmoniosamente. O Recife tem se desenvolvido nos últimos anos com um desequilíbrio desses fatores que tem prejudicado, em ritmo acelerado, a vida de todos os seus habitantes. E isso independe de classe social ou bairro onde mora. É impensável que quem more em algum dos bairros que sofreram o “boom” do mercado imobiliário acredite que seu bairro melhorou.

Nos últimos anos, o recifense se acostumou a ficar parado no trânsito, a enfrentar alagamentos, andar em calçadas estreitas e degradadas, ruas mal iluminadas e repletas de muros, com o medo de ser assaltado, a degradação do patrimônio histórico, a precariedade do transporte público, entre outras dificuldades. Tudo isso está diretamente relacionado com o modo como nossa cidade se planeja e desenvolve.

O Projeto Novo Recife apresenta uma solução engessada, baseada no “time que tá ganhando não se mexe”, repetindo um produto que o mercado imobiliário implanta indiscriminadamente em toda a cidade. Não há uma reflexão urbana do empreendimento. A iniciativa privada está acostumada a construir assim e os arquitetos estão acostumados a não questionar as incorporadoras/construtoras. Mas eles não são os vilões. Uma empresa particular não tem a obrigação de pensar coletivamente. Esse comprometimento é do poder público. Ele tem de pensar a cidade de uma forma plural e ampla, balizando os interesses privados de acordo com o interesse coletivo. Recife está acostumada a este modelo de “desenvolvimento”, que envolve a iniciativa privada e o poder público, comprovadamente falho. Basta andar em nossa cidade para ver.

Então por que não pensar em um novo modelo? Por que não questionar, refletir e discutir uma nova forma de pensar a cidade? Vamos pensar fora da caixa, não é crime. As pessoas de ideias estagnadas acabam por discriminar quem está “cometendo o crime” de pensar algo novo. A discordância é natural, e até salutar, enquanto houver argumentos. O que não pode acontecer é a preguiça de pensar se contrapor a quem pensa!

E nesse contexto, o Projeto Novo Recife é a oportunidade de trazer a discussão do planejamento urbano à tona. O lote, por tudo que foi listado no início do texto, tem um protagonismo urbano que o transforma no melhor objeto de discussão dessa pauta. O tema é tão nobre que não interessa onde estávamos quando aconteceram outras aberrações aqui na cidade. Pouco importa. A verdade é que, a partir do nosso esclarecimento, estamos cobrando uma cidade melhor. E todos devem cobrar!

Para os que não se aprofundaram no tema, vale a reflexão. Converse com arquitetos e urbanistas, pesquise na internet como se desenvolvem outras cidades, leia outras mídias além dos medalhões, não se influencie com propaganda enganosa e nem se convença sem ponderação. Questione e busque esclarecimento. A cidade precisa que você reflita e diga o que espera dela. E depois de refletir, cobre! Nós já vimos que não adianta esperar que a nossa cidade caia do céu. Até porque antes de tocar o chão, ela precisa passar por cima de muita coisa.

Leitura complementar

http://goo.gl/VLJgMU Um breve resumo

http://goo.gl/sx6r3J Nada mais subdesenvolvido que o Novo Recife

http://www.novorecife.com.br/ A proposta do Consórcio

http://penserecife.tumblr.com/ Uma proposta alternativa

O blog

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Um escritório de arquitetura não deve se caracterizar por uma empresa fechada, restrita a seu espaço físico, a encontros com as mesmas pessoas para discutir os mesmos temas. Acreditamos que tudo que envolve arquitetura e cidade deve ser discutido amplamente, com multidisciplinaridade e de todas as formas possíveis.

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Aqui abordaremos questões técnicas de arquitetura, trataremos de projetos, discutiremos a cidade, exporemos nossos métodos projetuais, abordaremos arquitetos que são nossas referências. Enfim, falaremos de tudo que compõe o nosso universo profissional.

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