Arquivo mensais:setembro 2017

Projeto de arquitetura: O cliente

Um tema recorrente, que gera curiosidade em algumas das pessoas que acompanham os nossos trabalhos, é como encaramos os nossos projetos. Quais as diretrizes que nos norteiam, como atendemos às vontades dos clientes aliando a boas soluções arquitetônicas e econômicas. Aqui no blog vamos tentar abordar alguns desses aspectos, buscando deixar mais claro a forma que entendemos ser o nosso jeito de projetar, deixando claro que cada arquiteto, cada escritório, vai ter a sua forma ideal de chegar nas soluções.

É possível fazer uma analogia de um projeto de arquitetura com uma equação matemática, onde teremos vários termos se combinando de formas diferentes e gerando um resultado. Nesta comparação, podemos entender os termos como as condicionantes do projeto. Como exemplo disso, podemos tomar a vontade do cliente, o objetivo da construção, o tempo hábil pra obra, o valor financeiro disponibilizado para sua execução, a mão de obra disponível, os materiais construtivos disponíveis, o local onde a obra está inserida, a época em que está sendo feita, entre tantos outros. O resultado é a obra construída, sendo bem utilizada.

Neste primeiro texto, vamos falar sobre uma das mais importantes destas variantes, a vontade cliente. É a partir do cliente que o projeto começa a tomar forma. Em geral, nossos clientes chegam com uma ideia pouco amadurecida, sem noção de custo de construção, de tempo de obra, de que área precisa construir, entre outras questões. E isso é extremamente normal considerando que ele não está acostumado a projetar e construir com frequência. É neste momento que buscamos, primeiramente, entender a sua vontade, seus desejos e suas limitações, e num segundo momento sugerir formas de realizar suas vontades de uma forma mais eficiente.

O arquiteto, por conviver diariamente com obras e projetos e ter um conhecimento mais apurado desse tipo de processo, sabe como evitar futuros problemas e tem o dever de orientar o cliente em relação a isso.

No nosso escritório, aconteceu um caso onde um casal jovem, sem filhos, solicitou um projeto para uma casa de 400m². Após a conversa para definição do briefing de necessidades do projeto, percebemos que uma casa muito menor, aproximadamente 250m², seria suficiente pra atender todas as vontades deles e fizemos a sugestão que foi aceita por eles. Neste caso, o casal não tinha muita noção de quantidade de área construída e após a nossa explanação, conseguiu ter mais segurança na solicitação de área estimada da casa. De qualquer forma, projetamos uma casa de 250m² com uma possibilidade de futura ampliação da casa já contemplada. É importante salientar que com essa diminuição de 150m² de área construída, conseguimos uma economia de obra que variou entre R$150.000 e R$225.000.

Além dessa questão da orientação em relação ao custo de obra, ao tamanho da edificação e etc, precisamos traduzir as vontades e gostos dos clientes, porque muitas vezes essas mensagens não chegam de forma clara para quem fará o seu projeto. Quando o cliente não consegue expressar com facilidade suas ideias, cabe a nós, arquitetos, conduzi-lo dando a informação necessária para que consiga transmitir suas necessidades. É nesse momento que falam que o arquiteto tem de ser um pouco psicólogo também. J

Aqui no escritório buscamos apresentar fotos de outros projetos, referências, além de conversarmos em reunião sobre gostos, cores e soluções, buscando entender melhor o seu estilo de vida e seus anseios. E essa tradução bem realizada reflete em um programa de necessidades mais eficiente que possibilitará um projeto mais assertivo, gerando ganho de tempo no projeto e uma sensação de contemplação e satisfação no cliente.

Por último, mas não menos importante, acreditamos que a vontade do cliente tem de prevalecer. O arquiteto é um tradutor das suas vontades, e essa tradução tem de ser fiel a mensagem original. O arquiteto pode ter uma linha de projeto bem definida e  mantê-la em seus projetos, aliando-a sempre com muito esmero às necessidades do cliente. Daí a importância do cliente fazer a escolha do profissional que fará o seu projeto a partir do conhecimento de suas obras, de uma afinidade estética e pessoal. Um projeto de arquitetura, e uma obra, são processos que precisam de muita parceria e afinidade. A escolha do profissional precisa ter esse tipo de atenção.

Poderíamos passar muito mais tempo falando da importância do cliente na equação do projeto de arquitetura, mas a ideia deste texto foi abordar alguns dos pontos desta relação entre clientes e arquitetos, demonstrando a importância desta relação, e sugerindo soluções que adotamos e funcionam muito bem com a gente.

Na próxima semana a gente traz mais um elemento que influencia bastante na elaboração do projeto, tentando externar os debates que acontecem aqui no escritório pra, quem sabe, obter pontos de vistas concordantes e discordantes de quem nos lê, e provocar uma boa reflexão em todos nós. Até a próxima!