MAIS VOCABULÁRIO URBANÍSTICO

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O caderno Cidades do Jornal do Commercio do último dia 11 de julho, trouxe uma matéria intitulada “Mais um passo para o sonhado Plano Diretor” destacando a iniciativa louvável da população do bairro de Casa Amarela, em Recife, para elaborar um Plano Diretor para o bairro. O objetivo é elaborar um plano, a partir de plenárias e oficinas públicas, e com isso levar o projeto de iniciativa popular para Câmara dos Vereadores.

A cada dia que se passa Recife vai se mostrando ainda mais vanguardista no quesito envolvimento popular em discussões urbanas. Grupos como o Casa Amarela Sustentável, Boa Vista Viva, Ocupe Estelita e Direitos Urbanos estão trazendo ao cidadão comum o debate sobre um tema de extrema importância e que estava adormecido.

O recifense comum, e por isso entenda como a pessoa que não trabalha com urbanismo, não tem qualquer proximidade com o tema citadino. A ausência de um vocabulário urbanístico acabou por criar uma população que só percebe a cidade através de sua própria experiência cotidiana e não em um contexto coletivo. Na própria matéria do JC, citada no início deste texto, dois moradores do bairro falam para a reportagem que esperam que com esta iniciativa. O primeiro torce para que se asfalte a rua para onde irá se mudar daqui a pouco tempo, enquanto a segunda, uma feirante do Mercado de Casa Amarela, espera que organize-se um estacionamento ao lado do mercado para aproximar os clientes.

A ideia não é discutir a opinião pessoal dos entrevistados. Mas sim, ilustrar como o recifense não está acostumado a pensar a cidade como um organismo coletivo. E a ausência deste costume foi criado, e continua sendo incentivado, pela inoperância do poder público em gerir nossa cidade. Há tantos problemas pequenos e próximos a cada cidadão, que ele se concentra em tentar resolver o que é mais visível e presente no seu cotidiano. E com isso deixa de ter uma visão macro do que acontece na cidade.

E essa incapacidade é compreensível a medida que a nossa cidade não apresenta, em seu cotidiano, qualidades urbanas que criem um bom repertório de soluções urbanísticas para seu cidadão. Não vemos na a cidade funcionar na prática. Uma pequena minoria busca um conhecimento teórico ou um curto conhecimento prático em alguma viagem.

E a cidade precisa ser discutida por todos. Precisamos ampliar o vocabulário urbanístico da população. Ensiná-la, e acostumá-la, a cobrar boas soluções e a enxergar a cidade como organismo coletivo, feita por todos e para todos.

Nós, arquitetos e urbanistas, temos uma parcela de responsabilidade maior nessa empreitada. Somos o lado técnico da força. Nós temos o dever, e a capacidade, de ampliar esse vocabulário urbanístico do cidadão comum através de nossos projetos. Ninguém pedirá algo que não sabe que existe. Nós temos de mostrar as inúmeras possibilidades saudáveis para a cidade e estimular a população a refletir entre elas.

Para sairmos desse epidemia de ignorância urbana precisamos contar com todos: urbanistas, grupos urbanos, entidades organizadas, grupos de comunicação e cidadão comum. Uma verdadeira força-tarefa. Torçamos para que esses grupos sejam amplificados e que contagiem cada vez mais cidadãos. Torçamos para que os arquitetos desenvolvam suas ideias para ampliar o conhecimento da população. E façamos a nossa parte.

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