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Em tempos em que a nossa cidade é eleita a cidade com trânsito mais lento do país, é preciso matéria no jornal para confirmar o que já sentimos no dia a dia. Cidades, que já estão com vias esgotadas,  sofrem por planejamento urbano que peca por menosprezar um correto investimento em transporte público.

O uso da bicicleta como transporte diário não é de hoje. Alguns acham que é moda, que dar lugar para ciclovias é um absurdo, fechar o centro da cidade para carros é utopia. Na verdade, a bike se mostra um meio de se locomover sustentável, mais econômico e muitas vezes mais rápido do que carro ou ônibus.

Algumas cidades resolveram buscar alternativas para melhorar o caos do transporte urbano e viver uma vida mais saudável.

01 - Milão - Itália

1. 7 cidades pelo mundo que aceitaram o desafio de se livrar dos carros.

02 - Lisboa

2. Uma proposta de rede de ciclovias planas para Lisboa.

03 - Hvar - Croácia

3. Já que não dá pra andar bem por aqui, vamos por lá.

04 - cidades brasileiras

4. Cidades brasileiras que mostram que é possível.

05 - ameciclo

5. Pra ficar de olho no movimento de transformações das cidades, através da bicicleta.

Projeto Elementar: O Mundo Lá de Casa

Algumas viagens pelo mundo, um dom para cozinhar, um apartamento espaçoso e uma grande ideia. Esses foram os ingredientes para o surgimento d’O Mundo Lá de Casa, que está comemorando um ano hoje. Um cantinho aconchegante que uma vez por semana abre para receber amigos e interessados em provar as experiências gastronômicas elaboradas por dois chefes.

Esse projeto surgiu com a proposta de usar toda a sala de 18m² e parte da cozinha como um espaço para receber pessoas. O desafio foi transformar este espaço em comedoria, sem perder a atmosfera e aconchego de casa, principal função do apartamento. Para isso, utilizamos diversos objetos que as clientes já possuíam, como peças decorativas trazidas de viagens, trazendo um ar intimista e identidade ao local, remetendo a lembranças de cada lugar visitado.

O Mundo Lá de Casa - Antes e Depois

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O Mundo Lá de Casa - Pallets

Para a sala, principal área de acolhimento, distribuímos de forma flexível as mesas em mdf com padrão branco, para que permitisse uma boa variedade de layout e passamos a dispor de 16 lugares. Ainda nesta sala, projetamos um grande banco de madeira em forma de “L” e utilizamos estofado em tom avermelhado com algumas almofadas estampadas, quebrando o tom forte da cor. Todas as cadeiras são de madeira e foram reaproveitadas e pintadas em cores diferentes (azul, amarelo, vermelho e no tom natural), trazendo um despojamento e alegria que se encaixaram bem com a proposta do lugar. Mais próximo à cozinha, reaproveitamos uma mesa de madeira, pertencente às proprietárias, e criamos um cantinho mais reservado, com capacidade para 06 pessoas. Ainda nesta área mais reservada, projetamos uma estante/divisória vazada em madeira como estratégia para a divisão da área de trabalho e a área de receber. Este móvel ainda permite a ventilação e iluminação natural e pode ser decorado com vários objetos e livros, trazendo uma ótima combinação com a composição de porta-retratos na parede verde. Na cozinha, abaixo do balcão, o móvel existente recebeu pintura nova e acima dele foi colocado um painel de vidro com aplicação de adesivo com estampa de azulejos antigos, para compor o cenário da área de produção.

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Ainda com a proposta de reaproveitar objetos das proprietárias, utilizamos na sala grades de pallets como painéis para dispor as garrafas vazias de cerveja, presas com braçadeiras, que passaram a funcionar como vasos pra flores. Próximo a esses pallets, dispomos diversas lembranças de viagens e outros objetos de decoração. Com a ideia de trazer mais identidade ao espaço, pintamos duas paredes com tinta para quadro negro possibilitando a cada semana novos rabiscos, assim como a divulgação do menu do dia. Em uma dessas paredes há um painel em tons amadeirados, criando uma moldura para as ilustrações, enquanto na outra, um espaço reservado para a exposição de instrumentos musicais e apresentação pra quem quiser tocar um sonzinho bacana.

O Mundo Lá de Casa - Painel

Por fim, buscamos criar uma iluminação aconchegante e intimista nos ambientes através do uso de trilhos com spots direcionáveis, garantindo uma iluminação indireta e dimerizável na sala, junto com um conjunto de garrafas que funcionam como luminária.  Já na mesa da cozinha, utilizamos uma luminária artesanal que estava guardada e combinou com o ar descontraído do projeto.

O Mundo Lá de Casa - Mesa

 

 

O caso Estelita

Foto: Manoela Pires

Vista aérea do Cais José Estelita

A cidade do Recife está enfrentando uma discussão acalorada sobre seu planejamento urbano. E o objeto centro deste debate está sendo o Projeto Novo Recife, desenvolvido por um consórcio de construtoras, para o Cais José Estelita. A área em questão, um lote de mais de 10ha, se notabiliza por um forte caráter histórico, com edificações tombadas no interior do lote, além da proximidade com o Centro Histórico do Recife. A área ainda apresenta uma importância vital para a mobilidade metropolitana da cidade e, por último, um grande potencial paisagístico devido à proximidade com a frente do Rio Capibaribe, o mais importante da cidade.

Antes de começar a argumentação, é importante frisar o quanto nos deixa felizes pertencermos a uma cidade onde a população está brigando por uma cidade melhor. Onde os seus habitantes decidiram não esperar passivamente pelo poder público, porque este já demonstrou toda a sua insensibilidade e incompetência quanto a planejamento urbano nos últimos anos. A discussão popular de temas de interesses coletivos é um dos maiores indicadores do esclarecimento de uma população.

Nesta discussão especificamente, há dois lados: os que aprovam o Projeto Novo Recife e os que o condenam. No entanto, não há um antagonismo de quereres entre as partes. Ambos querem uma cidade melhor, e isso deveria nos unir. Acontece que uns defendem a cidade a partir de argumentos citadinos, coletivos e com elevada preocupação social, enquanto outros se amparam em argumentos de defesa à iniciativa privada, viabilidades econômicas e à legalidade.

Ora, uma coisa não está condicionada à recusa e inexistência da outra. Esta dicotomia não faz sentido e não é saudável para a cidade. O mundo está repleto de exemplos onde todas essas questões levantadas convivem harmoniosamente. O Recife tem se desenvolvido nos últimos anos com um desequilíbrio desses fatores que tem prejudicado, em ritmo acelerado, a vida de todos os seus habitantes. E isso independe de classe social ou bairro onde mora. É impensável que quem more em algum dos bairros que sofreram o “boom” do mercado imobiliário acredite que seu bairro melhorou.

Nos últimos anos, o recifense se acostumou a ficar parado no trânsito, a enfrentar alagamentos, andar em calçadas estreitas e degradadas, ruas mal iluminadas e repletas de muros, com o medo de ser assaltado, a degradação do patrimônio histórico, a precariedade do transporte público, entre outras dificuldades. Tudo isso está diretamente relacionado com o modo como nossa cidade se planeja e desenvolve.

O Projeto Novo Recife apresenta uma solução engessada, baseada no “time que tá ganhando não se mexe”, repetindo um produto que o mercado imobiliário implanta indiscriminadamente em toda a cidade. Não há uma reflexão urbana do empreendimento. A iniciativa privada está acostumada a construir assim e os arquitetos estão acostumados a não questionar as incorporadoras/construtoras. Mas eles não são os vilões. Uma empresa particular não tem a obrigação de pensar coletivamente. Esse comprometimento é do poder público. Ele tem de pensar a cidade de uma forma plural e ampla, balizando os interesses privados de acordo com o interesse coletivo. Recife está acostumada a este modelo de “desenvolvimento”, que envolve a iniciativa privada e o poder público, comprovadamente falho. Basta andar em nossa cidade para ver.

Então por que não pensar em um novo modelo? Por que não questionar, refletir e discutir uma nova forma de pensar a cidade? Vamos pensar fora da caixa, não é crime. As pessoas de ideias estagnadas acabam por discriminar quem está “cometendo o crime” de pensar algo novo. A discordância é natural, e até salutar, enquanto houver argumentos. O que não pode acontecer é a preguiça de pensar se contrapor a quem pensa!

E nesse contexto, o Projeto Novo Recife é a oportunidade de trazer a discussão do planejamento urbano à tona. O lote, por tudo que foi listado no início do texto, tem um protagonismo urbano que o transforma no melhor objeto de discussão dessa pauta. O tema é tão nobre que não interessa onde estávamos quando aconteceram outras aberrações aqui na cidade. Pouco importa. A verdade é que, a partir do nosso esclarecimento, estamos cobrando uma cidade melhor. E todos devem cobrar!

Para os que não se aprofundaram no tema, vale a reflexão. Converse com arquitetos e urbanistas, pesquise na internet como se desenvolvem outras cidades, leia outras mídias além dos medalhões, não se influencie com propaganda enganosa e nem se convença sem ponderação. Questione e busque esclarecimento. A cidade precisa que você reflita e diga o que espera dela. E depois de refletir, cobre! Nós já vimos que não adianta esperar que a nossa cidade caia do céu. Até porque antes de tocar o chão, ela precisa passar por cima de muita coisa.

Leitura complementar

http://goo.gl/VLJgMU Um breve resumo

http://goo.gl/sx6r3J Nada mais subdesenvolvido que o Novo Recife

http://www.novorecife.com.br/ A proposta do Consórcio

http://penserecife.tumblr.com/ Uma proposta alternativa